Sobriedade

A relevância desta palavra sobre os sedentos de poder no Judiciário Brasileiro

O Poder Judiciário é o poder mistério, o poder onde repousa a expectativa, a ansiedade daqueles que a ele recorrem, daqueles que aguardam as suas respostas.

Mas que poder mistério é esse senão aquele que se revela, que se manifesta nas decisões que emanam do ser humano que o exerce? O ser humano poder, o ser humano complexo, o ser humano Juiz, o ser humano espelho. Isto é, o misterioso Poder Judiciário reflete tanto  o ser humano que busca nele a decisão sobre seus conflitos, quanto o ser humano Juiz, de cujas mãos e mente surgirão as decisões desejadas.

Ambos, o que demanda e o que responde, numa relação que se espera profícua, respeitável, eficaz, tem o dever de primar por certos códigos de conduta, de comportamento, de ética, de procedimentos, sob risco de serem abalados os pilares que sustentam a imagem de respeitabilidade e moral deste poder moderador, sempre a serviço do ser humano em suas relações sociais.

Diante, pois, desta realidade que tangencia a relação interpessoal no Poder Judiciário, em sua manifestação envolta em mistério, outra palavra melhor não haveria para sintetizar a forma de manifestação desta simbiose entre aquele que busca o seu direito e o Juiz que o analisa para decidir: SOBRIEDADE.

A carência, ressalte-se, a ausência ou mesmo a incerteza quanto à presença da SOBRIEDADE nas relações do Poder Judiciário com a sociedade, ultrapassa o limite do aceitável, extrapola o dever mínimo de cuidado que deve prevalecer na essência do próprio Poder.

É inaceitável, na medida em que se afasta dos ideais de respeitabilidade e moral deste Poder que, de maneira objetiva e inquestionável, deveria estar eivado de moderação, de temperança, de equilíbrio, de simplicidade e, sobretudo, de comedimento nas aspirações e nos propósitos de seus atores maiores, os Juízes.

É por tudo isto que a Sociedade Brasileira, que tem no misterioso Poder Judiciário o respeitável e louvável repouso de suas expectativas por JUSTIÇA, esta que se manifesta efetivamente por intermédio inarredável da imperiosa atuação do ADVOGADO, vem aqui reprovar e, também, demonstrar consternação diante da quase nababesca e irreverente posse do Ministro Dias Toffoli, como Presidente do Supremo Tribunal Federal, ocorrida no dia 14 do corrente mês, demonstrando uma infeliz e completa falta de sensibilidade para o momento da nação, esta que tem o olhar focado no dia a dia das decisões da Suprema Corte, vindo ferir de frente os pilares da respeitabilidade e da moral que se espera e exige do Poder Maior, em qualquer época, diante de qualquer circunstância.

O Brasil exige e espera, de todos, em todas as esferas de poder, sobretudo do Presidente do Supremo Tribunal Federal, iniciativas, atitudes eivadas de SOBRIEDADE, em oposição às demonstrações de falta de moderação, falta de temperança, falta de equilíbrio, falta de simplicidade, falta de propósitos e aspirações questionáveis.

Que fique claro: O BRASIL TEM DONO e, por isto mesmo, EXIGE RESPEITO.

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Alcebiades D. Cavalcanti

Advogado
Contato: cavalcanti@duartecavalcanti.com.br


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